Evangelho do dia – domingo, 2 de junho de 2024 – Marcos 2,23-3,6 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Deuteronômio 5,12-15)

Leitura do Livro do Deuteronômio.

Assim fala o Senhor: “Guarda o dia de sábado, para o santificares, como o Senhor teu Deus te mandou.

Trabalharás seis dias e neles farás todas as tuas obras.

O sétimo dia é o do sábado, o dia do descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu boi, nem teu jumento, nem algum de teus animais, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades, para que assim teu escravo e tua escrava repousem da mesma forma que tu.

Lembra-te de que foste escravo no Egito e que de lá o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus te mandou guardar o sábado”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.



Segunda Leitura (2Cor 4,6-11)

Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos: Deus, que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz”, é o mesmo que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para tornar claro o conhecimento da sua glória na face de Cristo.

Ora, trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós.

Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos.

De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Marcos 2,23-3,6)

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam.

Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”

Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.

E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é Senhor também do sábado”.

, Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. Ao saírem, os fariseus, com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.



Refletindo a Palavra de Deus

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, somos abençoados com leituras que nos chamam a refletir profundamente sobre o sentido do descanso, da luz de Cristo em nossas vidas e da verdadeira essência da observância das leis de Deus. Vamos mergulhar juntos nas passagens de Deuteronômio, da Segunda Carta aos Coríntios e do Evangelho de Marcos para entender melhor o que Deus nos pede.

Começamos com a leitura do Deuteronômio, onde Deus nos dá o mandamento de observar o sábado: “Guardarás o dia de sábado e o santificarás, como te ordenou o Senhor teu Deus. Trabalharás seis dias, e neles farás todos os teus trabalhos; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus.” Aqui, Deus nos convida a um descanso sagrado, um tempo separado para nos conectarmos com Ele e para renovarmos nossas forças.

Imaginem um campo fértil, que após seis dias de trabalho árduo, é deixado em repouso no sétimo dia para que a terra possa se regenerar e continuar a produzir frutos abundantes. Assim também é a nossa vida. O descanso sabático é um tempo de regeneração, de reconectar-nos com nossa essência e com nosso Criador. Deus não nos deu o mandamento do sábado para nos impor um fardo, mas para nos oferecer um tempo de descanso e de bênção.

No entanto, o verdadeiro descanso não é apenas físico, mas também espiritual. Ao separar um tempo para Deus, reconhecemos nossa dependência d’Ele e a necessidade de Sua presença em nossas vidas. É um momento para renovar nossa alma e fortalecer nossa fé. Quantas vezes em nosso mundo moderno, repleto de distrações e pressões, negligenciamos essa necessidade de pausa e contemplação?

Agora, passamos para a segunda leitura, onde São Paulo, escrevendo aos Coríntios, nos lembra: “Pois Deus que disse: ‘Das trevas brilhe a luz’, Ele mesmo brilhou em nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” Aqui, Paulo nos lembra do poder transformador da luz de Cristo em nossas vidas. Mesmo em meio às trevas, à dor e às dificuldades, somos chamados a ser portadores dessa luz.

Pensem em um vaso de barro. Frágil e imperfeito, mas, quando preenchido com uma luz brilhante, ele se torna um farol, uma fonte de esperança. Nós somos esses vasos de barro. Em nossa fragilidade humana, carregamos o tesouro inestimável da luz de Cristo. É através de nossas fraquezas, nossas lutas e até mesmo de nossas quedas que a glória de Deus se manifesta.

São Paulo continua dizendo: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não abandonados; derrubados, mas não destruídos; sempre levando no corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos.” Essas palavras são um poderoso lembrete de que, mesmo nos momentos mais difíceis, a graça de Deus nos sustenta. Somos chamados a viver a morte e ressurreição de Cristo diariamente, confiando que Sua vida se manifesta em nós, transformando nossas tribulações em testemunhos de Sua glória.

Finalmente, o Evangelho de Marcos nos apresenta um encontro entre Jesus e os fariseus sobre a observância do sábado. Vemos Jesus e Seus discípulos andando pelos campos de trigo em um sábado. Quando os discípulos começam a colher espigas, os fariseus questionam Jesus, acusando-os de violar a lei sabática. Jesus responde com sabedoria, lembrando-os que “o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é Senhor também do sábado.”

Jesus nos ensina que a verdadeira observância da lei de Deus vai além do cumprimento literal. É sobre entender o propósito profundo das leis divinas, que é promover a vida, a justiça e o amor. Ele nos mostra que a misericórdia e a compaixão devem guiar nossas ações, mesmo quando se trata da observância das leis religiosas.

Em um outro episódio no mesmo evangelho, Jesus entra na sinagoga e cura um homem com a mão atrofiada em um sábado, desafiando novamente as interpretações rígidas dos fariseus. Jesus pergunta: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar?” Com isso, Ele nos desafia a refletir sobre nossas próprias práticas e prioridades. Será que estamos presos a regras e tradições ao ponto de esquecer o espírito de amor e compaixão que deve guiar nossas vidas?

Vamos aplicar isso em nosso dia a dia. Quantas vezes nos encontramos julgando os outros ou a nós mesmos com base em regras rígidas, esquecendo o coração da mensagem de Cristo? Somos chamados a ser misericordiosos, a buscar o bem, e a colocar o amor acima de tudo. Isso não significa negligenciar as leis de Deus, mas sim entendê-las e vivê-las com um coração cheio de amor e compaixão.

O descanso sabático, a luz de Cristo em nossos corações e a verdadeira observância da lei de Deus são profundamente interligados. O descanso sabático nos oferece a oportunidade de nos renovar na presença de Deus, fortalecendo-nos para ser luz no mundo. Essa luz, que brilha mesmo em nossa fragilidade, nos guia a viver as leis de Deus com um coração misericordioso e compassivo.

Que possamos, então, guardar o sábado, não como um fardo, mas como uma bênção. Que a luz de Cristo brilhe em nossos corações, iluminando nossas vidas e as vidas daqueles ao nosso redor. E que, guiados pelo exemplo de Jesus, possamos viver as leis de Deus com misericórdia e compaixão, sempre buscando fazer o bem e promover a vida.

Vamos agora nos recolher em um momento de silêncio, refletindo sobre como podemos aplicar essas lições em nossas vidas. Que o Espírito Santo nos guie, fortalecendo-nos em nossa jornada de fé.

Senhor, nós Te agradecemos pelas lições de hoje. Ajuda-nos a viver conforme a Tua vontade, a encontrar descanso em Ti, a ser luz em um mundo muitas vezes escuro e a observar Tuas leis com um coração cheio de amor e compaixão. Que possamos seguir o exemplo de Cristo, trazendo cura e esperança a todos que encontrarmos. Amém.

Meus irmãos e irmãs, ao sairmos daqui hoje, levemos conosco a determinação de viver essas verdades em nossas vidas diárias. Que a graça de Deus nos acompanhe e nos fortaleça. Somos chamados a ser luz e sal – vamos brilhar e dar sabor ao mundo com a bondade, a justiça e o amor de Deus. Amém.


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