Evangelho do dia – quinta-feira, 11 de julho de 2024 – Mateus 10,7-15 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Oséias 11,1-4.8c-9)

Leitura da Profecia de Oséias.

Assim fala o Senhor: “Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Quanto mais eu os chamava tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão. Não darei largas à minha ira, não voltarei a destruir Efraim, eu sou Deus, e não homem; o santo no meio de vós, e não me servirei do terror”

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.



Evangelho (Mateus 10,7-15)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.



Refletindo a Palavra de Deus

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
Já pararam para pensar no amor incondicional de um pai ou uma mãe por seu filho? Aquele amor que persiste mesmo quando a criança se rebela, se afasta ou comete erros? Hoje, as palavras do profeta Oséias e o Evangelho de Mateus nos convidam a refletir sobre um amor ainda maior e mais profundo: o amor de Deus por cada um de nós.

Imaginemos por um momento uma cena cotidiana: um pai ensinando seu filho pequeno a dar os primeiros passos. As mãos fortes e seguras do pai sustentam a criança, que, hesitante, tenta se equilibrar. O pai, paciente, incentiva: “Vamos, você consegue!” A criança dá um passo, cambaleia, mas o pai está lá, pronto para ampará-la se cair. Esta imagem tão familiar e tocante nos remete às palavras de Oséias: “Eu ensinava Efraim a andar, eu o tomava pela mão.”

Que bela metáfora para o amor de Deus! Assim como aquele pai, Deus nos ensina a “andar” em nossa jornada espiritual. Ele não nos carrega o tempo todo, pois deseja que cresçamos e nos fortaleçamos. Mas também não nos abandona à própria sorte. Sua mão está sempre estendida, pronta para nos amparar quando tropeçamos.

Oséias continua: “Eu os atraía com laços humanos, com cordas de amor.” Pensem por um momento nos laços que nos unem às pessoas que amamos. Não são correntes que nos aprisionam, mas conexões que nos fortalecem, que nos dão senso de pertencimento e propósito. Da mesma forma, o amor de Deus não nos limita, mas nos liberta para sermos quem fomos criados para ser.

E vejam que imagem poderosa: “Eu era para eles como alguém que leva uma criancinha ao colo.” Quantos de nós já experimentamos o conforto de ser carregados quando éramos pequenos? Aquela sensação de segurança total, de saber que estamos nos braços de alguém que nos ama incondicionalmente. É assim que Deus nos vê e nos trata – com ternura, com cuidado, com amor infinito.

Mas a passagem de Oséias também nos mostra outro lado desse amor divino. “Como te deixarei, Efraim? Como te abandonarei?” Aqui vemos a angústia de um Deus que, apesar da infidelidade de seu povo, não consegue simplesmente virá-lo as costas. É um lembrete poderoso de que, não importa o quão longe nos afastemos, o amor de Deus sempre nos alcançará.

Agora, voltemos nosso olhar para o Evangelho de Mateus. Jesus envia seus discípulos com uma missão: “Proclamai que o Reino dos céus está próximo.” Esta proclamação não é apenas de palavras, mas de ações. “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios.”

À primeira vista, esta pode parecer uma tarefa impossível. Afinal, quem somos nós para curar doenças ou ressuscitar mortos? Mas lembrem-se, irmãos e irmãs, que estas palavras não são apenas sobre curas físicas, mas também sobre a cura espiritual e emocional que o amor de Deus pode trazer.

Quando estendemos a mão para alguém que está sofrendo, oferecendo conforto e compaixão, não estamos de certa forma “curando os doentes”? Quando ajudamos alguém a encontrar esperança em meio ao desespero, não estamos de alguma forma “ressuscitando os mortos”? Quando acolhemos aqueles que a sociedade rejeita, não estamos “purificando os leprosos”? E quando nos opomos ao mal com bondade e amor, não estamos “expulsando os demônios”?

Jesus diz aos discípulos: “De graça recebestes, de graça dai.” Que lembrança poderosa de que tudo o que temos – nossa vida, nossos talentos, nossa fé – é um dom gratuito de Deus. E assim como recebemos gratuitamente, somos chamados a dar gratuitamente.

Isso me faz pensar em como muitas vezes tentamos “negociar” com Deus. “Se eu fizer isso, Deus me dará aquilo.” Mas o amor de Deus, como vimos em Oséias, não funciona assim. É um amor gratuito, incondicional, que não exige nada em troca. Nossa resposta a esse amor deve ser igualmente gratuita e generosa.

Jesus também instrui os discípulos a não levarem “ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos”. Que desafio para nós hoje, vivendo em uma sociedade que muitas vezes mede o valor de uma pessoa pelo que ela possui! Somos chamados a confiar não em nossas posses ou habilidades, mas em Deus que provê.

E vejam que interessante: Jesus diz para ficarem na casa que os acolher, comendo e bebendo o que oferecerem. Isso fala de uma disposição para receber, não apenas para dar. Às vezes, em nosso desejo de ajudar os outros, nos esquecemos de que também precisamos ser humildes o suficiente para receber ajuda. Permitir que outros nos sirvam é uma forma de honrá-los e reconhecer a dignidade deles.

Por fim, Jesus fala sobre aqueles que não acolherem os discípulos. “Sacudi o pó dos vossos pés ao sair daquela casa ou cidade.” Isso não é um ato de condenação, mas um reconhecimento de que nem todos estarão abertos à mensagem do Evangelho. Não devemos nos desencorajar quando enfrentamos rejeição, mas continuar em frente, confiantes no amor de Deus.

Irmãos e irmãs, a mensagem que recebemos hoje é clara: somos infinitamente amados por Deus. Um amor que nos ensina a caminhar, que nos carrega quando estamos fracos, que nunca nos abandona. E somos chamados a compartilhar esse amor com o mundo.

Como podemos viver essa mensagem em nossas vidas diárias? Talvez seja reconhecendo o amor de Deus nas pequenas coisas – no sorriso de um estranho, na beleza de um pôr do sol, no abraço de um amigo. Talvez seja estendendo esse amor aos outros – através de um ato de bondade, de uma palavra de encorajamento, de um gesto de perdão.

Que possamos, como os discípulos, sair daqui hoje proclamando que o Reino dos céus está próximo. Não apenas com nossas palavras, mas com nossas ações. Que possamos ser instrumentos do amor de Deus, curando feridas, trazendo esperança, acolhendo os rejeitados.

E lembrem-se sempre: não importa onde estejamos em nossa jornada de fé, Deus está lá, nos ensinando a andar, nos carregando quando necessário, nos amando incondicionalmente. Que possamos responder a esse amor com gratidão e generosidade, compartilhando-o livremente com todos que encontrarmos.

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês. Amém.


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