Evangelho do dia – sábado, 8 de junho de 2024 – Lucas 2,41-51 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Isaías 61,9-11)

Leitura do Livro do Profeta Isaías.

A descendência do meu povo será conhecida entre as nações, e seus filhos se fixarão no meio dos povos; quem os vir há de reconhecê-los como descendentes abençoados por Deus. Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias. Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.



Evangelho (Lucas 2,41-51)

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem.
Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.



Refletindo a Palavra de Deus

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, as leituras que a liturgia nos propõe, trazem uma mensagem de alegria e esperança, bem como uma reflexão profunda sobre a obediência e a busca pela verdadeira compreensão da vontade de Deus. Vamos explorar juntos o que Isaías e o Evangelho de Lucas têm a nos ensinar sobre a vida e a fé.

No livro de Isaías, capítulo 61, versículos 9 a 11, encontramos uma mensagem poderosa de redenção e glória. O profeta Isaías proclama: “Sua descendência será conhecida entre as nações e sua posteridade, no meio dos povos. Todos os que os virem reconhecerão que são uma linhagem abençoada pelo Senhor.” Isaías fala de um povo que, após a tribulação, será reconhecido pela bênção divina. É um povo que experimenta a salvação e a justiça de Deus de maneira tão visível que todos ao redor notarão.

Imaginem um jardim, uma vez desolado e árido, que depois de uma estação chuvosa e abundante floresce com vida e cores. Esse jardim representa a transformação que Deus opera em nossas vidas. Onde havia desespero, nasce a esperança; onde havia tristeza, surge a alegria. Isaías nos assegura que somos como esse jardim florescente, plantados e cultivados pelo próprio Deus.

E o profeta continua: “Eu me alegrarei muito no Senhor, a minha alma exultará no meu Deus; porque Ele me vestiu com as vestes da salvação, cobriu-me com o manto da justiça, como um noivo que se adorna com uma coroa e como uma noiva que se enfeita com as suas joias.” Aqui, Isaías utiliza a metáfora do casamento para descrever a relação entre Deus e Seu povo. A imagem do noivo e da noiva simboliza uma união íntima e jubilosa, uma relação marcada pela beleza, pelo amor e pela fidelidade.

A salvação e a justiça de Deus não são apenas conceitos abstratos; são realidades que nos transformam e nos revestem. Assim como uma noiva se enfeita com suas joias no dia do casamento, Deus nos adorna com a graça e a justiça, nos preparando para participar de Sua alegria eterna.

No Evangelho de Lucas, capítulo 2, versículos 41 a 51, encontramos uma história que nos é muito familiar, mas que sempre tem algo novo a nos ensinar. É a passagem em que Jesus, ainda menino, é encontrado no templo discutindo com os doutores da lei. “Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando Ele completou doze anos, subiram conforme o costume da festa.”

Aqui vemos a obediência de Maria e José às tradições e leis judaicas. Eles são apresentados como pais dedicados, que educam seu filho na fé e nos costumes de seu povo. Entretanto, ao retornar para casa, percebem que Jesus não está com eles. Após três dias de busca angustiante, eles o encontram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo perguntas.

Podemos imaginar a preocupação de Maria e José, a angústia de um pai ou mãe que perde seu filho em meio a uma multidão. Mas Jesus, em Sua resposta, nos revela algo profundo: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?” Jesus, mesmo sendo jovem, tem plena consciência de Sua missão e de Sua identidade como Filho de Deus. Ele nos lembra que a obediência a Deus e o cumprimento de Sua vontade estão acima de tudo.

Maria e José não compreendem completamente o que Jesus diz, mas guardam todas essas coisas no coração. Maria, em particular, medita sobre essas palavras, buscando entender o mistério de seu filho. Esse episódio nos ensina sobre a importância da busca pela compreensão da vontade de Deus em nossas vidas, mesmo quando não entendemos completamente o que Ele está nos pedindo.

Vamos refletir sobre nossas próprias vidas. Quantas vezes nos encontramos em situações em que não entendemos os caminhos de Deus? Talvez seja uma dificuldade, uma perda, ou um momento de incerteza. Assim como Maria e José, somos chamados a confiar e a buscar a presença de Deus, mesmo quando as respostas não são imediatas ou claras.

Jesus nos mostra que nossa primeira lealdade deve ser a Deus. Ele nos convida a fazer da vontade de Deus a prioridade em nossas vidas, acima de nossas preocupações e medos. A obediência a Deus, como nos exemplificou Jesus, é o caminho para a verdadeira paz e realização.

As leituras de hoje também nos desafiam a olhar para nossa identidade. Isaías nos lembra que somos um povo abençoado, adornado com a graça de Deus. O Evangelho nos lembra que, como filhos de Deus, somos chamados a viver em obediência e em busca constante de Sua vontade.

E como podemos aplicar essas lições em nossas vidas diárias? Primeiro, reconhecendo a nossa identidade como filhos amados de Deus. Assim como o povo descrito por Isaías, somos abençoados e chamados a refletir essa bênção no mundo. Nossas ações, palavras e atitudes devem ser um reflexo da justiça e da salvação que recebemos.

Segundo, precisamos cultivar um relacionamento profundo e constante com Deus. Isso significa reservar tempo para a oração, para a leitura das Escrituras e para a meditação. Devemos buscar estar na “casa do Pai”, assim como Jesus estava no templo, ouvindo e aprendendo.

Finalmente, devemos confiar em Deus mesmo nas situações de incerteza. Quando não entendemos os caminhos que Ele nos coloca, devemos lembrar da atitude de Maria, que guardava e meditava sobre todas as coisas em seu coração. A confiança em Deus nos dá a paz para seguir em frente, sabendo que Ele está no controle.

Que essas leituras nos inspirem a viver com alegria, confiantes na nossa identidade em Deus, e a buscar sempre Sua vontade em nossas vidas. Que possamos, como Jesus, ser obedientes ao chamado do Pai e, como Maria, guardar e meditar sobre os mistérios da nossa fé.

Vamos agora ter um momento de silêncio, pedindo a Deus que nos revele Sua vontade e nos ajude a viver de acordo com Sua graça e justiça.

Senhor, nós Te agradecemos por Tua Palavra que nos guia e ilumina. Ajuda-nos a viver como Teus filhos abençoados, refletindo Tua justiça e salvação em todas as nossas ações. Dá-nos a graça de buscar sempre Tua vontade e de confiar em Ti em todos os momentos. Que possamos ser luz no mundo, seguindo o exemplo de Teu Filho amado. Amém.

Meus irmãos e irmãs, ao sairmos daqui hoje, levemos conosco a alegria e a esperança que encontramos nas Escrituras. Que a graça de Deus nos acompanhe e nos fortaleça para vivermos como verdadeiros discípulos de Cristo, obedientes e confiantes em Sua vontade. Amém.


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