Evangelho do dia – sexta-feira, 1 de março de 2024 – Mateus 21,33-43.45-46 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Gn 37,3-4.12-13a.17b-28)

Leitura do Livro do Gênesis.

Israel amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice. E por isso mandou fazer para ele uma túnica de mangas longas. Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não lhe podiam falar pacificamente.

Ora, como os irmãos de José tinham ido apascentar o rebanho do pai em Siquém, disse Israel a José: “Teus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Vem, vou enviar-te a eles”.

Partiu, pois, José atrás de seus irmãos e encontrou-os em Dotaim. Eles, porém, tendo-o visto ao longe, antes que se aproximasse, tramaram a sua morte. Disseram entre si: “Aí vem o sonhador! Vamos matá-lo e lançá-lo numa cisterna, depois diremos que um animal feroz o devorou. Assim veremos de que lhe servem os sonhos”.

Rúben, porém, ouvindo isto, disse-lhes: “Não lhe tiremos a vida”! E acrescentou: “Não derrameis sangue, mas lançai-o naquela cisterna do deserto, e não o toqueis com as vossas mãos”. Dizia isto, porque queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai. Assim que José chegou perto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica de mangas longas, pegaram nele e lançaram-no numa cisterna que não tinha água. Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, avistaram uma caravana de ismaelitas, que se aproximava, proveniente de Galaad. Os camelos iam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que transportavam para o Egito.

E Judá disse aos irmãos: “Que proveito teríamos em matar nosso irmão e ocultar o seu sangue? É melhor vendê-lo a esses ismaelitas e não manchar nossas mãos, pois ele é nosso irmão e nossa carne”. Concordaram os irmãos com o que dizia.

Ao passarem os comerciantes madianitas, tiraram José da cisterna, e por vinte moedas de prata o venderam aos ismaelitas: e estes o levaram para o Egito.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Evangelho (Mt 21,33-43.45-46)

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: “Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.

Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.

Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?”

Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.

Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos.

Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Refletindo a Palavra de Deus

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, desejo começar nossa reflexão com uma pergunta simples, mas profunda: como tem sido a sua vida? Quais foram as experiências que você teve nos últimos dias, semanas, meses? Quais são os desafios que você enfrenta em sua jornada diária? Tenho certeza de que cada um de nós tem uma história única, com altos e baixos, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. É nessa tapeçaria complexa da vida que desejamos mergulhar hoje, à luz das Sagradas Escrituras.

As leituras de hoje nos apresentam duas histórias poderosas. Na primeira leitura, do livro de Gênesis, encontramos a história de José, o filho de Jacó. José era um jovem com sonhos e esperanças, mas também era alvo de inveja e ódio por parte de seus irmãos. Eles não suportavam a ideia de que José era o favorito de seu pai, Jacó. A fim de se livrar dele, seus irmãos o vendem como escravo.

Essa história traz à tona a realidade da inveja e do egoísmo, que muitas vezes encontramos em nossas próprias vidas. Quantas vezes nos sentimos tentados a desejar o mal para aqueles que consideramos “favorecidos” ou “mais sortudos” do que nós? Quantas vezes nos deixamos levar pelo orgulho e pela amargura, em vez de celebrar as bênçãos e realizações dos outros? A história de José nos desafia a confrontar essas tendências negativas em nós mesmos e a buscar a cura e a transformação em Deus.

Mas a história de José não termina em desespero e sofrimento. Pelo contrário, é uma história de redenção e propósito divino. Ao longo de sua jornada, José passa por muitas provações, mas sempre permanece fiel a Deus. E no final, ele se torna um instrumento de bênção para sua família e para toda a nação do Egito. Sua história nos lembra que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, Deus está trabalhando em nossas vidas, tecendo um plano maior e mais belo.

A segunda leitura, do Evangelho de Mateus, nos traz a parábola dos vinhateiros maus. Nessa parábola, Jesus conta a história de um proprietário de uma vinha que planta uma vinha, a cerca e a arrenda para vinhateiros. Mas, quando o proprietário envia seus servos para receber os frutos, os vinhateiros os maltratam e até matam o filho do proprietário. Jesus usa essa história para ilustrar a rejeição e o maltrato que Ele sofreria nas mãos dos líderes religiosos de Seu tempo.

Essa parábola nos convida a refletir sobre a nossa própria resposta a Deus. Quantas vezes rejeitamos a voz de Deus em nossas vidas? Quantas vezes nos recusamos a reconhecer a autoridade divina e nos rebelamos contra os princípios e valores que Ele nos apresenta? A parábola dos vinhateiros maus nos desafia a examinar nossos corações e a nos arrependermos de qualquer atitude de rebeldia ou indiferença em relação a Deus.

Meus amados, essas histórias bíblicas nos falam de verdades espirituais profundas, mas como podemos trazer essas verdades para nossa vida cotidiana? Como podemos aplicar esses princípios em nossa jornada diária de fé? Permitam-me compartilhar com vocês algumas reflexões práticas.

Primeiro, devemos nos examinar em relação à inveja e ao egoísmo. Quando nos sentimos tentados a invejar ou ressentir as bênçãos dos outros, devemos parar e lembrar que cada um de nós tem um propósito único e um chamado especial de Deus. Em vez de ceder à inveja, devemos aprender a celebrar as conquistas dos outros e a buscar o bem de todos.

Segundo, devemos cultivar uma atitude de gratidão. Em vez de reclamar das dificuldades e desafios da vida, devemos nos esforçar para encontrar motivos para agradecer. Mesmo nas situações mais difíceis, Deus está trabalhando emnossas vidas para o nosso bem. Devemos confiar em Sua providência e agradecer pelas bênçãos que Ele nos concede diariamente.

Terceiro, devemos reconhecer a autoridade de Deus em nossas vidas. Ele é o dono da vinha, o criador de todas as coisas. Devemos submeter nossa vontade à Sua e seguir Seus mandamentos. Isso implica em viver uma vida de retidão, amor ao próximo e justiça, em todas as áreas de nossa existência.

Quarto, devemos nos lembrar que somos chamados a dar frutos. Assim como o proprietário da vinha esperava que os vinhateiros produzissem frutos, Deus espera que nós também produzamos frutos em nossa vida espiritual. Esses frutos podem ser manifestados em nossas ações de amor, compaixão, generosidade e serviço aos outros. Devemos nos esforçar para sermos discípulos fiéis de Jesus, refletindo Seu amor e Sua luz no mundo.

Agora, meus irmãos e irmãs, convido vocês a fecharem os olhos por um momento e refletirem sobre essas verdades espirituais. Pensem em suas próprias vidas, em suas lutas e desafios, em suas alegrias e bênçãos. Permitam que o Espírito Santo fale ao coração de vocês, revelando as áreas em que vocês precisam de cura, transformação e renovação.

Enquanto refletimos, vamos nos lembrar de que a graça de Deus está disponível para cada um de nós. Ele nos convida a nos aproximarmos Dele, a nos entregarmos completamente a Ele. Ele nos oferece Seu amor incondicional, Sua misericórdia infinita e Sua graça que nos capacita a vivermos de acordo com Sua vontade.

Meus amados, hoje não é apenas um dia para ouvir palavras, mas também para agir. Façamos um compromisso pessoal de buscar a transformação em nossas vidas, de abrir espaço para a graça de Deus agir em nós. Comprometamo-nos a abandonar qualquer atitude de inveja, egoísmo e rebelião, e a abraçar uma vida de gratidão, submissão e frutificação.

Que as histórias de José e dos vinhateiros maus se tornem mais do que meras palavras em nossa mente, mas uma realidade viva e tangível em nossas vidas. Que elas nos inspirem e nos desafiem a vivermos como verdadeiros discípulos de Cristo, refletindo Sua luz e Seu amor em tudo o que fazemos.

Que a graça, o amor e a esperança divinos sejam derramados abundantemente sobre cada um de vocês. Que Deus os abençoe e os capacite a viverem de acordo com Sua Palavra. Que cada passo que vocês dêem em direção à transformação seja cheio de Sua presença e Sua orientação.

Que assim seja. Amém.


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