Evangelho do dia – sexta-feira, 17 de maio de 2024 – João 21,15-19 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Atos 25,13b-21)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesaréia e foram cumprimentar Festo. Como ficassem alguns dias aí, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: “Está aqui um homem que Félix deixou como prisioneiro. Quando eu estive em Jerusalém, os sumos sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram acusações contra ele e pediram-me que o condenasse. Mas eu lhes respondi que os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação.

Eles vieram para cá e, no dia seguinte, sem demora, sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem. Seus acusadores compareceram diante dele, mas não trouxeram nenhuma acusação de crimes de que eu pudesse suspeitar. Tinham somente certas questões sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo. Eu não sabia o que fazer para averiguar o assunto. Perguntei então a Paulo se ele preferia ir a Jerusalém, para ser julgado lá. Mas Paulo fez uma apelação para que a sua causa fosse reservada ao juízo do Augusto Imperador. Então ordenei que ficasse preso até que eu pudesse enviá-lo a César”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.



Evangelho (João 21,15-19)

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

— Glória a vós, Senhor.

Jesus manifestou-se aos seus discípulos e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”.

E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.

Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.



Refletindo a Palavra de Deus

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

Que a paz do Senhor esteja com todos vocês neste dia abençoado. Hoje, gostaria de começar nossa reflexão com uma pergunta: você já se sentiu perdido, incerto sobre o caminho a seguir em meio às turbulências da vida cotidiana? Tenho certeza de que cada um de nós pode se identificar com essa experiência em algum momento. E é justamente nesses momentos de incerteza que as palavras poderosas das Escrituras Sagradas se tornam uma luz orientadora em nossas vidas.

Nossas leituras de hoje nos convidam a refletir sobre o chamado de Jesus a Pedro, um convite para que ele O siga e cuide do rebanho de Deus. Pedro, um pescador simples, foi escolhido e chamado para uma missão grandiosa. Mas antes de explorarmos mais profundamente o significado dessas palavras, vamos nos transportar para o contexto histórico da Primeira Leitura.

Nela, vemos Paulo sendo julgado diante de Festo, o governador romano. Paulo está na prisão, enfrentando acusações injustas, mas sua fé inabalável o mantém firme. Ele não é desviado pelo poder e influência do mundo, mas permanece fundamentado na verdade eterna de Deus. Essa é uma lição poderosa para todos nós, especialmente em uma cultura que muitas vezes nos desafia a comprometer nossos valores e princípios.

Agora, voltemos ao Evangelho de João, onde encontramos Jesus restaurando Pedro após a negação que ocorreu durante a Paixão. Jesus pergunta a Pedro três vezes se ele O ama. E, como sabemos, Pedro responde afirmativamente. Mas há mais do que apenas um simples questionamento aqui; há um chamado à responsabilidade e ao serviço.

Imaginem-se no lugar de Pedro, naquela praia, olhando nos olhos amorosos de Jesus. Pedro, um homem comum, um pescador, mas também um discípulo apaixonado pelo Mestre. Jesus não apenas perdoa Pedro, mas lhe dá uma tarefa sagrada: “Cuide das minhas ovelhas”. Essas palavras ressoam até os dias de hoje, pois cada um de nós é chamado a cuidar uns dos outros, a nutrir e guiar aqueles que estão ao nosso redor.

Aqui, encontramos uma metáfora poderosa para a vida cristã. Somos chamados a ser pastores, a imitar o bom Pastor, Jesus Cristo. Como Pedro, temos a responsabilidade de cuidar do rebanho de Deus. E isso não se limita apenas ao âmbito eclesiástico, mas se estende a todas as áreas de nossas vidas. Nossas famílias, amigos, colegas de trabalho – todos são ovelhas que precisam de nosso cuidado amoroso.

No entanto, muitas vezes nos sentimos inadequados para essa tarefa. Nós nos perguntamos: “Como posso cuidar dos outros se eu mesmo estou cheio de falhas?” E é aí que a graça de Deus se manifesta. Ele não nos chama porque somos perfeitos, mas sim porque Ele nos ama e nos capacita. A graça de Deus transforma nossas fraquezas em força, nossa dúvida em confiança e nosso medo em coragem.

Quando olhamos para a vida de Pedro após esse encontro com Jesus, vemos a transformação que ocorreu nele. Ele se tornou um líder corajoso e incansável na propagação do Evangelho, mesmo diante de perseguições e adversidades. Ele entendeu que sua vida tinha um propósito maior, um chamado divino que o impulsionava a ir além de si mesmo.

Queridos irmãos e irmãs, essa mesma chamada é dirigida a cada um de nós hoje. Jesus nos chama para segui-Lo, para amar e cuidar de Seu rebanho. Ele nos convida a transcender nossas próprias limitações e a confiar em Sua graça abundante. E quando abraçamos esse chamado, descobrimos que nossas vidas adquirem um significado maior e encontramos uma alegria profunda em servir aos outros.

No entanto, ser um pastor não significa apenas cuidar dos outros, mas também cuidar de nós mesmos. Precisamos buscar a face de Deus em oração, fortalecer nosso relaciono com Ele por meio da leitura das Escrituras e participação nos sacramentos. Assim como um pastor precisa descansar e se alimentar, também precisamos alimentar nossa alma e descansar em Deus para que possamos ser renovados em nosso serviço.

Quando nos comprometemos a ser pastores em nossas vidas diárias, estamos desafiando a mentalidade egoísta que prevalece em nossa sociedade. Em um mundo que muitas vezes valoriza o individualismo e a autopromoção, somos chamados a colocar os outros em primeiro lugar, a buscar o bem-estar daqueles que nos foram confiados.

Podemos nos perguntar: “Como posso cuidar dos outros quando tenho tantas preocupações e desafios em minha própria vida?” É verdade que todos nós enfrentamos dificuldades, mas é justamente em meio a essas dificuldades que podemos encontrar oportunidades para exercer a compaixão e o cuidado. Um simples sorriso, uma palavra de encorajamento, um gesto de bondade – essas pequenas ações podem ter um impacto significativo na vida daqueles ao nosso redor.

Permitam-me compartilhar uma história que ilustra esse ponto. Certa vez, um homem estava caminhando por uma praia repleta de estrelas-do-mar que haviam sido jogadas na areia pela maré alta. Ele viu uma criança pegando as estrelas-do-mar uma por uma e jogando-as de volta ao mar. Curioso, o homem perguntou à criança o que ela estava fazendo. Ela respondeu: “Estou salvando as estrelas-do-mar. Se eu não fizer isso, elas morrerão.” O homem olhou para a extensão da praia, cheia de estrelas-do-mar, e disse: “Mas são tantas! O que diferença isso fará?” A criança sorriu, pegou uma estrela-do-mar e a jogou de volta ao mar, dizendo: “Fez diferença para essa.”

Queridos irmãos e irmãs, cada ato de amor e cuidado que compartilhamos faz diferença. Não subestimemos o poder transformador de nossas ações, por menores que sejam. Quando nos comprometemos a cuidar uns dos outros, a ser pastores em nossas próprias vidas, estamos refletindo o amor de Deus em um mundo que anseia desesperadamente por esse amor.

À medida que concluímos esta reflexão, gostaria de encorajar cada um de vocês a responder ao chamado de Jesus em suas vidas pessoais. Seja em sua família, no trabalho, na comunidade ou em qualquer lugar onde você se encontre, esteja disposto a ser um pastor, a cuidar do rebanho de Deus.

Lembremo-nos das palavras de Jesus a Pedro: “Cuide das minhas ovelhas”. Essas palavras ecoam em nossos corações hoje, e é por meio da graça de Deus que somos capacitados a cumprir esse chamado. Abrace esse chamado com alegria e confiança, sabendo que Deus está ao seu lado a cada passo do caminho.

Neste momento, convido vocês a terem um momento de silêncio, para refletir sobre como vocês podem ser pastores em suas próprias vidas. Pensem em uma ação específica que vocês podem realizar nesta semana para demonstrar amor e cuidado pelos outros. Que o Espírito Santo os guie e os inspire nessa reflexão.

Queridos irmãos e irmãs, que as palavras que ouvimos hoje das Escrituras não sejam apenas palavras faladas, mas uma chamada à ação. Que a graça de Deus esteja conosco enquanto buscamos ser pastores em nossas vidas diárias. E que, ao fazermos isso, possamos testemunhar o amor de Deus ao mundo, trazendo cura, esperança e transformação.

Que a Virgem Maria, a Mãe da Igreja, nos guie em nossa jornada de fé e interceda por nós junto a seu Filho Jesus. Que Deus abençoe a todos nós e nos conceda a coragem e a sabedoria para vivermos de acordo com os ensinamentos das Escrituras. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Livraria Católica