Evangelho do dia – sexta-feira, 7 de junho de 2024 – João 19,31-37 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Oséias 11,1.3-4.8c-9)

Leitura da Profecia de Oseias.

Assim diz o Senhor: “Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão. Não darei largas à minha ira, não voltarei a destruir Efraim, eu sou Deus, e não homem; o santo no meio de vós, e não me servirei do terror”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.



Segunda Leitura (Efésios 3,8-12.14-19)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos: Eu, que sou o último de todos os santos, recebi esta graça de anunciar aos pagãos a insondável riqueza de Cristo e de mostrar a todos como Deus realiza o mistério desde sempre escondido nele, o criador do universo. Assim, doravante, as autoridades e poderes nos céus conhecem, graças à Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, de acordo com o desígnio eterno que ele executou em Jesus Cristo, nosso Senhor. Em Cristo nós temos, pela fé nele, a liberdade de nos aproximarmos de Deus com toda a confiança. É por isso que dobro os joelhos diante do Pai, de quem toda e qualquer família recebe seu nome, no céu e sobre a terra. Que ele vos conceda, segundo a riqueza da sua glória, serdes robustecidos, por seu Espírito, quanto ao homem interior; que ele faça habitar, pela fé, Cristo em vossos corações, que estejais enraizados e fundados no amor. Tereis assim a capacidade de compreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade, e de conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento, a fim de que sejais cumulados até receber toda a plenitude de Deus.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Evangelho (João 19,31-37)

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

— Glória a vós, Senhor.

Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e, depois, do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu, dá testemunho, e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E outra Escritura ainda diz: “Olharão para aquele que transpassaram”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.



Refletindo a Palavra de Deus

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, as leituras que a liturgia nos apresenta formam um mosaico extraordinário do amor de Deus por nós. Desde a ternura descrita pelo profeta Oséias, passando pela profundidade do apóstolo Paulo aos Efésios, até culminar no coração transpassado de Jesus no evangelho de João, somos convidados a mergulhar no oceano do amor divino.

Vamos começar com a leitura de Oséias. “Quando Israel era criança, eu o amei, e do Egito chamei meu filho. Mas quanto mais eu os chamava, mais eles se afastavam de mim.” Aqui, Deus se revela como um pai amoroso, cheio de carinho e cuidado por seu povo. Ele nos conta sobre os primeiros passos de Israel, como um pai que ensina seu filho a caminhar, segurando-o pela mão. É uma imagem de ternura e proteção. No entanto, apesar desse amor imenso, Israel se afastou, buscando ídolos e caminhos que os afastavam de Deus.

Imaginem um pai segurando seu filho pequeno enquanto ele dá os primeiros passos. O pai está ali, pronto para amparar, proteger, ensinar. O filho, porém, é curioso, e em sua curiosidade, às vezes se afasta, tropeça, cai. Assim somos nós diante de Deus. Ele nos chama, nos guia, mas muitas vezes preferimos seguir nossos próprios caminhos, nos distanciando de Seu amor.

Mesmo assim, Deus não desiste de nós. “Meu coração se comove dentro de mim, desperta-se toda a minha ternura. Não deixarei explodir a minha ira… porque eu sou Deus e não homem: sou o Santo no meio de ti e não me sirvo do furor.” Este é o coração de Deus: um coração que se comove, que é movido pela compaixão. Ele é santo, diferente de nós, não age por impulso ou raiva, mas por amor. Ele nos ama com um amor que não tem fim, um amor que é fiel, mesmo quando nós não somos.

Em nossa segunda leitura, São Paulo, em sua carta aos Efésios, nos fala da grandeza deste amor. Paulo, considerado “o menor de todos os santos”, sente-se privilegiado por poder anunciar as insondáveis riquezas de Cristo. Ele fala de um mistério escondido desde os séculos em Deus, o Criador de todas as coisas, que agora é revelado. Este mistério é o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, um amor tão vasto, tão profundo, que é difícil de compreender completamente.

Paulo ora para que possamos, junto com todos os santos, “compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” Ele usa dimensões espaciais – largura, comprimento, altura e profundidade – para tentar nos ajudar a visualizar a imensidão do amor de Cristo. É um amor que abrange tudo, que penetra todos os aspectos de nossa vida, que nos envolve e nos sustenta.

E como podemos compreender este amor? Olhemos para o evangelho de João, onde encontramos a prova suprema desse amor. “Como era o dia da preparação, para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que fossem quebradas as pernas dos crucificados e que fossem retirados. Os soldados foram e quebraram as pernas do primeiro e depois do outro que foi crucificado com Jesus. Mas ao chegarem a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados perfurou-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água.”

O coração de Jesus foi transpassado, e dele jorraram sangue e água, símbolos dos sacramentos da Eucaristia e do Batismo, fontes de vida para a Igreja. A imagem do coração de Jesus aberto na cruz é a imagem mais poderosa do amor de Deus. É um amor que se entrega totalmente, que se doa sem reservas, que nos ama até o fim.

Vamos imaginar, por um momento, que estamos aos pés da cruz. Vemos o corpo de Jesus, ferido, machucado, seu coração aberto. Sentimos a dor, a tristeza, mas ao mesmo tempo, sentimos uma imensa gratidão. Porque ali, na cruz, está a prova do amor mais profundo e verdadeiro que existe. Jesus, Deus encarnado, morreu por nós. Seu coração foi aberto por nós. Este é o amor que excede todo entendimento, o amor que Paulo desejava que compreendêssemos.

E como podemos responder a este amor? Em primeiro lugar, somos chamados a acolhê-lo em nossas vidas. Deixar que este amor nos transforme, nos cure, nos fortaleça. Permitamos que ele nos preencha e nos conduza em tudo o que fazemos. Este amor deve ser o centro de nossa vida, a força que nos impulsiona, a luz que guia nossos passos.

Em segundo lugar, somos chamados a viver este amor em nossas relações com os outros. Se Deus nos ama de maneira tão profunda e incondicional, também devemos amar nossos irmãos e irmãs da mesma forma. Isso significa perdoar, ser paciente, ser generoso, ajudar aqueles que estão em necessidade, ser compassivo. Devemos ser reflexos do amor de Deus no mundo.

Pensemos no exemplo de uma vela. Quando acendemos uma vela, sua luz ilumina o ambiente, mas para isso, a vela precisa se consumir. Assim também somos nós. Para iluminar o mundo com o amor de Deus, precisamos nos doar, nos consumir em serviço e amor ao próximo.

Vamos agora ter um momento de silêncio, deixando que estas palavras ressoem em nosso coração. Peçamos a Deus a graça de compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do Seu amor. Que este amor nos transforme e nos faça ser instrumentos de Sua paz e amor no mundo.

Senhor, nós Te agradecemos pelas palavras que ouvimos hoje. Ajuda-nos a acolher Teu amor em nossas vidas, a sermos transformados por ele, e a viver este amor em nossas ações diárias. Que possamos ser luz no mundo, refletindo Teu amor em cada gesto e palavra. Amém.

Ao sairmos daqui, lembremos que somos chamados a ser testemunhas do amor de Deus. Que a graça do Senhor nos acompanhe, nos fortaleça e nos guie. Vivamos este amor e sejamos, cada um de nós, um farol de esperança e bondade no mundo. Amém.


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