Evangelho do dia – terça-feira, 9 de julho de 2024 – Mateus 9,32-38 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Oséias 8,4-7.11-13)

Leitura da Profecia de Oséias.

Assim fala o Senhor: “Eles constituíram reis sem minha vontade; constituíram príncipes sem meu conhecimento; sua prata e seu ouro serviram para fazer ídolos e para sua perdição. Teu bezerro, ó Samaria, foi jogado ao chão; minha cólera inflamou-se contra eles. Até quando ficarão sem purificar-se? Esse bezerro provém de Israel; um artesão fabricou-o, isso não é um deus; será feito em pedaços, esse bezerro de Samaria. Semeiam ventos, colherão tempestades; se não há espiga, o grão não dará farinha; e, mesmo que dê, estranhos a comerão. Efraim ergueu muitos altares em expiação do pecado, mas seus altares resultaram-lhe em pecado. Eu lhes deixei, por escrito, grande número de preceitos, mas estes foram considerados coisa que não lhes toca. Gostam de oferecer sacrifícios, imolam carnes e comem; mas o Senhor não os recebe. Antes, o Senhor lembra seus pecados e castiga suas culpas: eles deverão voltar para o Egito”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.



Evangelho (Mateus 9,32-38)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu coisa igual em Israel”. Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”. Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.



Refletindo a Palavra de Deus

Meus irmãos e irmãs em Cristo, iniciemos nossa reflexão com uma imagem comum a todos nós: um jardim. Pensem em um jardim bem cuidado, onde cada planta é nutrida e protegida, crescendo em harmonia e beleza. Agora, imaginem um jardim abandonado, cheio de ervas daninhas, onde as plantas lutam por espaço e nutrientes. Hoje, através das leituras de Oséias e do Evangelho de Mateus, somos convidados a refletir sobre o estado de nossos corações e a sociedade em que vivemos, e como podemos nos tornar jardineiros da fé, cultivando um terreno fértil para o amor e a justiça de Deus.

Na primeira leitura, do livro de Oséias, o profeta nos oferece uma mensagem dura, mas necessária. Ele denuncia o povo de Israel por sua infidelidade e idolatria: “Eles instituíram reis sem o meu consentimento, constituíram príncipes sem o meu conhecimento; de sua prata e de seu ouro fizeram ídolos para si, para sua perdição.” (Oséias 8,4). Oséias usa a metáfora da idolatria para nos mostrar como Israel se afastou de Deus, colocando sua confiança em coisas efêmeras e mundanas ao invés de no Senhor.

Imaginem um agricultor que planta ventos, esperando colher uma colheita abundante. Isso é o que Oséias nos diz sobre Israel: “Eles semeiam ventos e colherão tempestades.” (Oséias 8,7). Esta imagem poderosa nos lembra que aquilo que semeamos em nossas vidas, seja bom ou ruim, inevitavelmente voltará para nós. Se semeamos desobediência e idolatria, colheremos destruição e caos. Mas se semeamos justiça, amor e fidelidade a Deus, colheremos paz e bênçãos.

Oséias também fala da multiplicação dos altares ao pecado: “Efraim multiplicou os altares para pecar, e estes altares se tornaram-lhe para pecar.” (Oséias 8,11). Estes altares simbolizam todas as vezes que buscamos soluções rápidas e superficiais para nossos problemas, ao invés de confiar em Deus e seguir Seus mandamentos. Assim como o povo de Israel, muitas vezes podemos construir “altares” modernos – seja o materialismo, o poder, ou o prazer – que nos afastam da verdadeira adoração e do propósito de nossas vidas.

Agora, voltando nossos corações ao Evangelho de Mateus, encontramos Jesus no meio de seu ministério, curando e libertando as pessoas: “Apresentaram-lhe um mudo endemoninhado. Após o demônio ter sido expulso, o mudo falou.” (Mateus 9,32-33). Esta cura milagrosa não é apenas um sinal do poder divino de Jesus, mas também uma metáfora para a libertação espiritual que Ele oferece a todos nós. Assim como Jesus libertou o homem possuído, Ele quer nos libertar de todas as forças que nos aprisionam – sejam elas medos, vícios, ou pecados.

O povo ficou maravilhado com as obras de Jesus, mas os fariseus acusaram-no de expulsar demônios pelo príncipe dos demônios. Esta reação dos fariseus nos alerta sobre a cegueira espiritual e a dureza de coração. Eles testemunharam o poder de Deus, mas, devido à sua inveja e rigidez, não puderam reconhecer a obra divina. Isso nos leva a refletir sobre nossas próprias vidas: estamos abertos para ver e aceitar os milagres e intervenções de Deus? Ou estamos presos a nossos preconceitos e incredulidades?

Jesus, ao ver as multidões, sentiu compaixão por elas, pois estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Ele então disse aos seus discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.” (Mateus 9,37-38). Esta declaração é um chamado direto a cada um de nós. Jesus nos convida a sermos trabalhadores em Seu campo, a levarmos Sua mensagem de amor, cura e esperança ao mundo.

Mas como podemos ser esses trabalhadores? Primeiramente, precisamos cultivar nossos próprios corações. Devemos arrancar as ervas daninhas da idolatria, da indiferença e do egoísmo, e plantar as sementes da fé, da esperança e do amor. Isso significa dedicar tempo à oração, ao estudo das Escrituras e aos sacramentos. Precisamos nutrir nossa fé para que possamos ser exemplos vivos da presença de Deus no mundo.

Além disso, ser trabalhador na colheita do Senhor significa agir com compaixão. Jesus se compadeceu das multidões porque estavam perdidas e desesperadas. Em nosso mundo moderno, muitas pessoas se sentem da mesma maneira. Estão sobrecarregadas pelas pressões da vida, pela solidão e pela falta de propósito. Nós, como discípulos de Cristo, somos chamados a ser faróis de esperança e a oferecer consolo e ajuda prática a quem precisa.

Vamos agora refletir sobre como podemos aplicar essas lições em nossa vida diária. Comecemos com pequenas ações: oferecer um sorriso a um estranho, escutar com atenção alguém que precisa desabafar, ou simplesmente ser presente para nossos familiares e amigos. Cada ato de bondade é uma semente plantada no jardim de Deus, que um dia produzirá frutos abundantes.

Pensemos também em como podemos nos engajar mais na vida da nossa comunidade paroquial. Há tantas oportunidades para servir – seja no ministério da caridade, na catequese, ou nas liturgias. Lembremos que cada serviço prestado na comunidade é um passo na direção da colheita abundante que Jesus nos prometeu.

Enquanto meditamos sobre estas mensagens, peçamos a Deus que nos dê a força e a coragem para sermos verdadeiros trabalhadores em Sua colheita. Que possamos arrancar as ervas daninhas de nossos corações e plantar as sementes da justiça, da paz e do amor.

Vamos ter um momento de silêncio agora, refletindo sobre o que Deus está nos chamando a fazer. Que áreas de nossas vidas precisam ser purificadas? Como podemos ser mais fiéis a Deus e mais compassivos com os outros?

Senhor, agradecemos pelas palavras de hoje. Ajuda-nos a viver de acordo com Tua vontade, a usar nossos dons para o bem dos outros, e a ser luz no mundo. Que possamos ser verdadeiros jardineiros da fé, cultivando um terreno fértil para o Teu amor e justiça. Amém.

Meus irmãos e irmãs, ao sairmos daqui, levemos conosco a determinação de ser trabalhadores na colheita do Senhor. Que a graça de Deus nos acompanhe e que possamos ser instrumentos de Sua paz e amor no mundo. Lembrem-se, somos chamados a ser luz e sal – vamos brilhar e dar sabor ao mundo com a bondade, a justiça e o amor de Deus. Amém.


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