Evangelho do dia – domingo, 21 de janeiro de 2024 – Marcos 1,14-20 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Jn 3,1-5.10)

Leitura da Profecia de Jonas:

A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez:

“Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar”.

Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada.

Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo dizendo: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”.

Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior.

Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Segunda Leitura (1Cor 7,29-31)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Mc 1,14-20)

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.

Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.

E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.

Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Refletindo a Palavra de Deus

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, ao nos reunirmos como comunidade de fé, somos chamados a refletir sobre o significado profundo da nossa existência e a resposta que oferecemos ao convite divino. A vida, muitas vezes, se assemelha a uma jornada repleta de oportunidades e escolhas, e as leituras de hoje nos convidam a considerar como respondemos ao chamado do Senhor.

Imaginem, se puderem, a cena à beira do mar da Galileia descrita no Evangelho de Marcos (Mc 1,14-20). Jesus caminha pela praia e encontra dois conjuntos de irmãos – Simão e André, Tiago e João. Eles eram pescadores, ocupados com suas redes e preocupações diárias. No entanto, o encontro com Jesus transformou suas vidas de maneiras inimagináveis. A resposta imediata desses homens à chamada de Jesus é emblemática, marcando o início de uma jornada extraordinária de discipulado.

Esta cena ressoa profundamente em nossas próprias vidas. Assim como os primeiros discípulos, somos chamados a responder ao convite constante de Jesus para segui-Lo. No entanto, muitas vezes, ficamos presos em nossas redes cotidianas, em nossas preocupações e responsabilidades, e podemos hesitar diante da oportunidade de seguir o Mestre.

Quero partilhar uma história que exemplifica essa dinâmica na experiência cotidiana. Havia uma mulher chamada Ana, dedicada ao seu trabalho e à sua família. Sua vida era repleta de atividades e compromissos, e o convite de Jesus muitas vezes parecia distante e difícil de discernir em meio à agitação diária. Um dia, ao refletir sobre as Escrituras, Ana sentiu uma inquietude interior, uma voz suave que a convidava a deixar para trás as redes familiares e profissionais para seguir a Cristo de maneiras novas e ousadas.

Ao longo do tempo, Ana começou a perceber que seguir Jesus não significava abandonar suas responsabilidades, mas infundir cada aspecto de sua vida com um novo propósito e significado. Ela se tornou uma testemunha viva de como a resposta ao chamado de Deus pode transformar não apenas indivíduos, mas também comunidades e estruturas sociais.

Essa história nos desafia a considerar nossas próprias respostas ao chamado de Jesus. O Evangelho hoje nos lembra que o Reino de Deus está próximo, e a resposta adequada é a conversão, a mudança de coração que nos leva a uma nova forma de viver. Este é um chamado que ressoa através das gerações, um convite para todos nós hoje: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

A Primeira Leitura do Livro de Jonas (Jn 3,1-5.10) nos oferece outra perspectiva intrigante sobre a natureza do chamado divino. Jonas, um profeta relutante, recebe a ordem de Deus para pregar a mensagem de arrependimento à grande cidade de Nínive. Inicialmente, Jonas tenta fugir da responsabilidade, mas, após um encontro dramático com uma grande baleia, ele finalmente aceita a missão divina.

A mensagem de Jonas ressoa poderosamente: “Ainda quarenta dias e Nínive será destruída” (Jn 3,4). No entanto, a reação de Nínive à proclamação de Jonas é notável. Desde o rei até o menor dos habitantes, todos se arrependem de seus maus caminhos, clamam a Deus por misericórdia e mudam suas práticas pecaminosas.

Essa história nos leva a ponderar sobre a natureza do arrependimento e da conversão. Nínive, uma grande cidade pagã, foi capaz de reconhecer a urgência da mensagem profética e responder com humildade e arrependimento. Isso nos desafia a considerar se estamos dispostos a mudar nossos caminhos quando confrontados com a verdade do Evangelho.

A Segunda Leitura, da Primeira Carta aos Coríntios (1Cor 7,29-31), acrescenta outra camada a essa reflexão. O apóstolo Paulo escreve aos coríntios, destacando a transitoriedade da vida terrena. Ele nos lembra que as coisas deste mundo estão passando, e, portanto, devemos viver de maneira que reflita a compreensão profunda da eternidade.

Paulo não está sugerindo que devemos abandonar nossas responsabilidades ou desconsiderar o mundo ao nosso redor. Pelo contrário, ele está nos chamando a viver com uma perspectiva celestial, reconhecendo que todas as nossas ações e escolhas têm uma dimensão eterna. Esta leitura nos convida a considerar como nossa resposta ao chamado de Deus molda não apenas o presente, mas também o futuro que se estende além da vida presente.

À medida que exploramos essas leituras, percebemos um fio comum: o convite divino para a conversão, o chamado para mudar nossos corações e direcionar nossas vidas em direção a Deus. Quero destacar três temas-chave que emergem dessas passagens:

1. O Chamado à Mudança e à Conversão:
– Assim como os primeiros discípulos, somos chamados a deixar nossas redes e seguir a Cristo.
– O chamado à conversão não é apenas uma mudança superficial, mas uma transformação profunda dos nossos corações e mentes.
– Devemos examinar sinceramente nossas vidas, identificar áreas que precisam de mudança e responder ao convite constante de Jesus.

2. A Urgência da Mensagem Evangélica:
– A história de Jonas destaca a urgência da mensagem do Evangelho.
– Assim como Nínive respondeu prontamente, somos desafiados a reconhecer a urgência da salvação e a proclamar o Evangelho em nossas próprias vidas.
– A conversão não deve ser adiada; é uma resposta imediata ao chamado de Deus.

3. Viver com uma Perspectiva Eterna:
– A leitura de Paulo aos Coríntios nos lembra da transitoriedade das coisas terrenas.
– Devemos viver de maneira que reflita a compreensão da eternidade, reconhecendo que todas as nossas ações têm implicações além desta vida.
– Isso não nos leva a negligenciar nossas responsabilidades, mas a abordá-las com uma visão celestial.

Neste momento, convido-vos a um breve momento de silêncio. Que possamos, nesse silêncio, abrir nossos corações à voz suave do Espírito Santo, que nos chama à conversão e à resposta fiel ao chamado divino.

À medida que ponderamos sobre esses temas, é essencial considerar como podemos aplicar esses princípios em nossas vidas diárias. Aqui estão algumas orientações práticas:

1. Refletir sobre Nossas Prioridades:
– Dediquemos tempo para refletir sobre nossas prioridades e escolhas de vida.
– Identifiquemos áreas que necessitam de conversão e mudança.
– Estejamos dispostos a deixar de lado aquilo que nos impede de seguir mais plenamente a Cristo.

2. Proclamar o Evangelho em Palavras e Ações:
– Assim como Jonas proclamou a mensagem em Nínive, sejamos corajosos em proclamar o Evangelho em nosso meio.
– Sejamos testemunhas vivas da transformação que Cristo opera em nossas vidas.
– Estejamos atentos às oportunidades de partilhar a Boa Nova com aqueles ao nosso redor.

3. Viver com Consciência Eterna:
– Ao enfrentarmos decisões diárias, consideremos sua implicação eterna.
– Não negligenciemos nossas responsabilidades, mas abordemo-las com uma visão celestial.
– Cultivemos uma consciência constante da presença de Deus em todas as áreas de nossas vidas.

Queridos irmãos e irmãs, o chamado de Jesus para “Convertei-vos e crede no Evangelho” é um convite contínuo para todos nós. Que possamos responder a esse chamado com corações abertos, prontos para deixar nossas redes e seguir a Cristo em cada aspecto de nossas vidas.

Antes de concluir, quero orar por cada um de nós:

Ó Deus, Pai misericordioso, olha para nós, Tuas criaturas, que buscam responder ao Teu chamado. Derrama sobre nós a graça da conversão, transformando nossos corações e moldando nossas vidas de acordo com Tua vontade. Senhor Jesus, guia-nos em nosso caminho de discipulado, capacitando-nos a deixar para trás aquilo que nos impede de seguir-Te plenamente. Espírito Santo, infunde em nós uma consciência constante da eternidade, para que vivamos de maneira que glorifique a Deus em todas as coisas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Que a graça de Deus continue a operar em nossas vidas, capacitando-nos a responder ao Seu chamado com alegria e fidelidade. Amém.