Evangelho do dia – domingo, 27 de abril de 2025 – João 20,19-31 – Bíblia Católica

Primeira Leitura (Atos 5,12-16)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no Pórtico de Salomão, Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Segunda Leitura (Apocalipse 1,9-11a.12-13.17-19)

Leitura do Livro do Apocalipse de São João.

Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, a qual dizia: “O que vais ver, escreve-o num livro. Então voltei-me para ver quem estava falando; e ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um “filho de homem”, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: “Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. Escreve pois o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Evangelho (João 20,19-31)

Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

— Glória a vós, Senhor.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!”. Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Refletindo a Palavra de Deus

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Alguma vez você já se sentiu tão transformado por uma experiência que se tornou quase irreconhecível para si mesmo? Imaginem os apóstolos naqueles primeiros dias após a ressurreição. Estes homens que haviam se escondido atrás de portas trancadas por medo agora estão realizando milagres nas ruas de Jerusalém. Pescadores simples e coletores de impostos, agora transmutados em canais da graça divina, com até mesmo suas sombras curando os enfermos!

Nossa primeira leitura dos Atos dos Apóstolos nos revela uma comunidade cristã em chamas com o poder do Espírito Santo. “Pelas mãos dos apóstolos realizavam-se muitos sinais e prodígios entre o povo.” O que testemunhamos aqui não é apenas o nascimento da Igreja, mas seu batismo de fogo — uma transformação tão radical que desafia nossa compreensão.

O que mudou estes homens? O que transformou Pedro de um negador amedrontado em um líder tão poderoso que os doentes eram trazidos para as ruas na esperança de que sua sombra pudesse tocar-lhes? A resposta reside no nosso Evangelho de hoje.

Enquanto o medo ainda os mantinha trancados, Jesus veio e ficou no meio deles. “A paz esteja convosco,” Ele disse, e mostrou-lhes suas mãos e seu lado. Aquelas feridas, longe de serem sinais de derrota, tornaram-se os emblemas da maior vitória já conquistada. E então, num gesto de intimidade divina, Ele soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo.”

Imaginemos este momento. O mesmo sopro que animou Adão no Jardim do Éden agora recria estes homens. O sopro de Cristo os transforma de seguidores comuns em apóstolos investidos de autoridade celestial. “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, serão retidos.” Este não é apenas um novo começo para eles, mas o início de uma nova criação para toda a humanidade.

Mas há um ausente neste encontro transformador. Tomé não estava lá. E quando ouve o testemunho febril de seus irmãos, ele responde com ceticismo: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos pregos, e não puser a minha mão no seu lado, não acreditarei.”

Quantos de nós nos reconhecemos em Tomé? Vivemos em uma era de ceticismo, onde a dúvida é frequentemente mais valorizada que a fé. Exigimos provas, evidências palpáveis antes de acreditarmos. “Mostre-me”, dizemos, “e então talvez eu acredite.” Como Tomé, queremos colocar nossos dedos nas feridas antes de nos rendermos à verdade.

Mas observe a resposta de Jesus a Tomé. Oito dias depois, Ele aparece novamente e imediatamente se dirige à dúvida de Tomé: “Põe o teu dedo aqui e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e põe-na no meu lado. Não sejas incrédulo, mas crente!” Jesus não condena Tomé por sua dúvida; Ele vai ao encontro de Tomé exatamente onde ele está.

E é isto que Cristo faz por cada um de nós. Ele vem ao nosso encontro em nossas dúvidas, em nossas lutas, em nossos momentos de descrença. Ele nos mostra suas feridas — não para nos envergonhar, mas para nos convidar a uma fé mais profunda.

A reação de Tomé é transformadora: “Meu Senhor e meu Deus!” Esta não é apenas uma confissão de crença, mas uma declaração de rendição total. Tomé não apenas reconhece que Jesus ressuscitou; ele reconhece a plena divindade de Cristo. É uma das confissões de fé mais profundas em todo o Novo Testamento.

Jesus então oferece uma bênção que ecoa através dos séculos até nós: “Bem-aventurados os que não viram e creram.” Esta é a bênção para todos nós, que não podemos colocar nossos dedos nas feridas de Cristo ou ver com nossos olhos físicos o Senhor ressuscitado. Nossa fé, embora não baseada em visão física, não é menos real ou poderosa que a fé dos apóstolos.

Esta verdade é belamente ilustrada em nossa segunda leitura do Apocalipse. João, exilado na ilha de Patmos “por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus”, tem uma visão do Cristo ressuscitado e glorificado. Este não é mais o Jesus que caminhou pela Galileia, mas o Cristo cósmico, com “cabelos brancos como lã, como neve”, uma voz “como o ruído de muitas águas”, e uma face “como o sol quando brilha com todo o seu esplendor.”

Diante desta glória avassaladora, João cai “como morto aos seus pés.” Mas note a resposta de Jesus: “Não temas!” E Ele coloca sua mão direita sobre João, o mesmo gesto de intimidade e bênção que Ele ofereceu a Tomé.

Esta é a mesma mensagem que Cristo oferece a cada um de nós: “Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente. Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos.”

Meus irmãos e irmãs, esta é a verdade central de nossa fé. Cristo, que foi crucificado, está vivo. E não apenas vivo, mas reinando em glória e poder, segurando “as chaves da morte e do abismo.” O mesmo Cristo que transformou os apóstolos amedrontados em arautos destemidos da ressurreição, o mesmo Cristo que encontrou Tomé em sua dúvida e João em seu exílio, é o Cristo que vem ao nosso encontro hoje.

Ele vem a nós não apenas em momentos de êxtase espiritual, mas em nossas portas trancadas de medo, em nossos momentos de dúvida, em nossos lugares de exílio e solidão. Ele vem trazendo paz, oferecendo suas feridas como sinais de amor, soprando seu Espírito vivificante em nós.

E assim como Ele transformou os apóstolos, Ele deseja nos transformar. O relato em Atos não é apenas uma história do passado, mas uma promessa para o presente. O mesmo poder que fluía através dos apóstolos está disponível para nós hoje. O mesmo Espírito que capacitou Pedro para curar os enfermos e proclamar a ressurreição com ousadia é o Espírito que habita em nós como Igreja.

Mas esta transformação exige nossa resposta. Como Tomé, somos convidados a passar da dúvida à fé, da descrença à confissão: “Meu Senhor e meu Deus!” Como João, somos chamados a ouvir e escrever o que vemos — a ser testemunhas da ressurreição em nosso mundo.

E como os primeiros cristãos em Jerusalém, somos convidados a viver com tal plenitude do Espírito que outros são atraídos à luz de Cristo em nós. Nosso chamado não é simplesmente acreditar na ressurreição como um fato histórico, mas viver como pessoas ressuscitadas, portadoras da paz de Cristo, agentes de Seu perdão, canais de Sua cura.

Que nós, que celebramos a ressurreição neste tempo pascal, possamos ser transformados pelo encontro com o Cristo vivo. Que aqueles que nos observam possam ver não apenas nossas sombras, mas o reflexo da luz de Cristo em nós. E que nossa resposta à dúvida — seja em nós mesmos ou em outros — seja sempre o convite amoroso de Jesus: “Estende a tua mão… não sejas incrédulo, mas crente.”

Pois bem-aventurados são aqueles que não viram e creram. Bem-aventurados somos nós, que embora não tenhamos visto com nossos olhos físicos, confessamos com nossos lábios e nossos corações: “Meu Senhor e meu Deus!”

Que a paz de Cristo, que excede todo entendimento, guarde seus corações e mentes neste dia e sempre. Amém.